quinta-feira, 12 de outubro de 2006

CRISE, CRISE, CRISE


Na meia dúzia de anos que levo neste país não me recordo de um em que se tenha dito que não estamos em CRISE. País magnífico este, é já uma questão cultural, por certo, ultrapassável apenas e só por uma nova geração, completamente nova / renovada.

Todos se queixam, todos querem subsídios, todos exigem , todos criticam, todos condenam, todos se choram. Espremidinhos, bem espremidinhos não dão é nada ao país, apenas exigem do país !

Quem conhece os nossos “pequeninos” empresários vê que muitos estão sem rumo, vivem apenas e só oportunisticamente a tentar sugar para si melhor que o próximo, para seu proveito próprio, exigindo tudo e tentando ter tudo o que o estado pode e não pode dar ( esquecem-se que é a nós que sugam, a nós quer dizer, a quem contribui ).

Mas não são só estes empresários os culpados. São os que não querem trabalho mas querem receber; os que exigem casas e nunca lutaram nem pouparam para uma; os que têm creches ou lares para os respectivos pagos por nós, só porque o seu IRS prova que têm baixos rendimentos ( Médicos, Advogados, Arquitectos pobrezinhos e demais profissionais liberais ); aqueles que exigem tratamentos de Hotel de 5 * por parte das autoridades após cometerem crimes; os que pouco fazem mas muito exigem; os que estão de baixa mas não deveriam estar; pronto, alguns políticos ( contentes agora ? ), mas não quero falar desses que apenas são o reflexo da nossa matéria prima, salvo honrosos exemplos, por muito que não se goste das ideologias e políticas dos mesmos.

No Japão, é uma honra contribuir para o enriquecimento do estado através do pagamento de impostos. Aqui é honrado o excelente técnico de contas que melhor consegue driblar as finanças em altura de colectas e que melhor sabe sugar subsídios em tempos de CRISE.

Mas nós aqui não estamos sempre em CRISE ?!

13 comentários:

Xuinha Foguetão disse...

Estamos e com esta filosofia nunca vamos deixar de estar... ;)

Beijocas

LoiS disse...

Este tema interessa-me muito!

A eterna Espanha que muitos não gostam de ouvir falar, no lado de lá da fronteira com o Alentejo tem feito montes de investimentos agrícolas de sucesso, em que os seus empresários se movem em velhinhas 4L, os mesmos que actualmente já estão a comprar terras no lado de cá aos "empresários agrícolas" que se sentam em potentes jipes/carrinhas todo o terreno.

Subsídios para que os quero !

Só pode ser a cultura meus senhores !

silva disse...

Lois acho que tens toda a razão no teu post.
Eu acho qie vivemos num país que vive da "mama".A abertura dos telejornais são na maioria por situações de Crise!!! mas aquela que mais me deixa irritada, são aqueles moradores de certos bairros que vão para a televisão protestar por casas novas que aquelas não têm condições!!! eu para ter uma casa tenho de trabalhar e pagar impostos!! essas pessoas não pagam impostos e muitas delas vivem da mama do subsidio de desemprego e até têm trabalhos que não descontos fazem para a segurança social.
Não é ser indiferente a estes casos, porque até existem pessoas que até precisam de ajuda, mas a maioria vive da mama!!!

Estas situações deixam-me danada!

beijinhos grandes

Maria disse...

Sobretudo de valores!

Beijinhos

Pedro Ferreira, Visconde de Cunhaú disse...

Ès capaz de ter alguma razão! Uma coisa é certa...O ano passado estive aí e os restaurantes continuam apinhados, cada vez existem mais carros luxuosos e as pessoas vestem-se com marcas da cabeça aos pés! Crise!?
Mas o troféu reclamação devia ser entregue aos latifundiários do alentejo. Aparecem sempre a chorar-se na TV, a dizer que estão de rastos e depois pisgam-se dali para fora em potentes jipes. Enfim...

APC disse...

Comparando a cultura contributiva da Europa do Norte com a nossa, por exemplo, já se obtém material de sobra que nos inspira a esta questão.
Comparando os casos em que um indivíduo nem merece os bons dias dos vizinhos que sabem que ele foge aos impostos (sendo que da denúncia dificilmente se escapa) com o chico-espero que aos seus vizinhos publicita, alto e bom som, como passa a perna às finanças, acho que também.
Curioso como com mais valores morais até há menos queixas factuais, não é? A exigência torna-se legítima, mas se for correspondida e todas as partes cumprirem naturalmente com o seu papel, o equilíbrio acontece.
Bom... Mas diga-se de passagem que o nosso Estado também é um péssimo investidor dos impostos que pagamos e que, na realidade, deveriam assegurar uma saúde e uma educação para todos, pelo menos.
Já agora, também me posso queixar um bocadito (já que sou oficialmente Tuga!)?... É que a mim não me deixam nunca ficar sem trabalhar (!), mas há por aqui pela zona famílias a quem pagam para isso! Humpft!
:-)

LFM disse...

Nã sei que mais acrescente...

Jade disse...

Olá Lois! Considero que o teu texto está carregado de pequenas (grandes) verdades. São muitos os que tudo querem de mão beijada, como aliás a Silva referiu. Constrói-se uma barraca ilegal para ser deitada abaixo e se passar a ter direito a uma casa (a minha pago-a eu); recebem-se rendimentos mínimos quando se tem bom cabedal para trabalhar (eu, no ano em que não tive colocação, nem subsídio de desemprego, nem ADSE tive; nessa altura, professores sem colocação tinham direito a nada e como eram licenciados também não tinham direito a rendimento mínimo); fazem-se muitos filhos e aparece-se na televisão com um ar muito infeliz a apelar à compaixão (normalmente, também aqui há bom cabedal para trabalhar, mas invariavelmente ou se está desempregado ou de baixa); os senhores empresários, pois está claro que se amanham da melhor forma e os profissionais liberais ganham sempre muito pouco (estou obviamente a generalizar; há gente boa e honesta em todo o lado; até na política...). Depois, tal como o Visconde referiu, parece que a crise só existe para alguns porque, de facto, carros e casas de luxo continuam a vender-se muito bem. O país está sempre em crise, mas parece-me que esta é grande demais.
Beijos!

Yashmeen disse...

Sempre! É o conformismo portuga!

Maria disse...

Olha, ontem dia 13 e só para te contrariar o Ministro da Economia disse que "Portugal já não está em crise"... portanto é oficial!!!

Beijinhos

P.S.- Eu às vezes pergunto-me se eles e nós vivemos no mesmo país...

APC disse...

Creio que o erro da afirmação "Portugal já não está em crise" esteja no "já". Estou cá a magicar para comigo que o país NUNCA tenha estado em crise. Na volta tudo sempre foi abundante e promissor e alguém nos enganou! ;-)
B*

LoiS disse...

Quem referiu tal, voltou com a palavra atrás, pois afinal " não se decreta o fim da crise " e voltámos ao mesmo !

Bjs

Lígia disse...

É verdade, É verdade! Mas:

Aqui bem mais perto temos a Suécia, não é preciso ir até ao Japão para ver um país que reage bem aos impostos.

Eu fui empresária em nome individual durante anos... e nunca tive dinheiro para mandar cantar um cego! Em tempo de crise ainda cai na estupidez de ser honesta!

E sim, Crise é o estado crónico deste país! Não porque estejamos mesmo em crise, mas porque dá jeito que nos engrupam com essas tangas


Beijos