terça-feira, 3 de julho de 2007

A fuga dos bons

O instrutor do meu desporto de eleição, despediu-se no final da aula referindo que não voltará a liderar as mesmas em Portugal. Foi convidado para desenvolver o seu trabalho no campo das novas tecnologias numa empresa em Dublin, arrancando já este Verão e levando consigo a sua recém criada família. Irlanda é o destino desta família portuguesa!

Uma amiga que considero, arrumou as malas e rumou em família igualmente para Espanha!

Um “puto novinho" que "enganou" a minha não menos "novinha maninha", ligado a uma empresa mundial de topo das novas tecnologias, anda a remoer um convite para arrancar de malas e bagagens para os EUA.

Escrevo isto pois estas situações estão a ser recorrentes no meu mundo.

Falamos de pessoas com formação superior, com excelentes competências técnicas e muito bons níveis formativos.

Portugal vê assim muitos dos seus jovens rumarem a outras paragens, as outras “paragens” querem estes nossos jovens!

...

A recente Lisboa Bike Tour, segundo me contaram, foi uma tristeza: viram-se pessoas com partes de bicicletas às costas; gente com mais que uma bicicleta; gente a passar bicicletas para carrinhas estacionadas na faixa contrária ... vandalismo puro e sofreguidão possessiva desmesurada.

Já dizia o outro: “Em Portugal não se pode ter daquelas máquinas que se abrem depois de colocarmos a moeda e que dão acesso ao conjunto dos jornais, apenas para se tirar UM deles!”.

Será deste tipo de gente que estes amigos fogem?

20 comentários:

LFM disse...

A mim falta-me um pouco de coragem e uns anitos a menos para fazer o mesmo.

Maria Melo disse...

Talvez não, talvez estejamos a falar de coisas distintas -
Oportunidade e Civismo

A Oportunidade de iniciar uma carreira profissional noutro país, traz experiências, que proporcionam o contacto com novas realidades, diferentes “know-how”, diferentes culturas, distintas maneiras de viver e estar na vida.
Isto eu chama também, de enriquecimento cultural, que devia fazer parte da educação profissional e pessoal de cada um.
A maior parte das pessoas que tem esta experiência não emigra – regressa a Portugal e transporta consigo as experiências vividas, novas ideias que contribuem em muito para a positiva evolução do nosso país – são “banhos” de civilização que vão contribuindo também para a mudança de atitudes –inclusivé, atitudes muito pouco cívicas como aquelas que mencionaste.

Quem sai do País desta forma, não foge – apenas sai em busca de coisas novas e diferentes. Eu também fiz isso e foi das experiências pessoais, mais enriquecedoras que já vivi.

Beijos

Anónimo disse...

dá um saltinho aqui, acho que te vai interessar a leitura
http://mindthisgap.blogspot.com/

beijocas

Sílvia S.

Lígia disse...

concordo com a maria melo. Oportunidade e Civismo são duas coisas distintas

LoiS disse...

Maria:

Antes d+ obrigado por parares por aqui e contribuíres para a discussão.

A situação que relato é puramente uma colagem que assumo. Agora tocaste numa outra área que quero opinar: a da riqueza da emigração e da mais valia que a mesma trouxe.

Maria e LíLi:

Concordo em parte mas refiro igualmente que falamos de situações diferentes. Os nossos "velhos" emigrantes quanto a mim, fecharam-se num casulo lá fora e não evoluíram em nada. Foram para trabalho e mais trabalho, a situação assim os obrigava, e pouco mais trouxeram ao nosso país para além de remessas monetárias da emigração.

A “tosquidão” com que foram em termos culturais mostra-nos emigrantes como que parados na evolução de um Portugal que mudou desde os anos 60/70.

Esta nova vaga de emigração é de gente com outros prismas e outro grau de formação. Gente que pode e muito contribuir para que o nosso país seja cada vez melhor, pessoas que remam contra a maré de um país, como relato, de gente mesquinha, mal formada e pouco dada a serem agentes da mudança!

Maria Melo disse...

Lois,

Concordo contigo de uma forma geral, mas penso que os 2 tipos de emigrantes ainda coexistem.

O tradicional Emigrante que tem por objectivo único ganhar dinheiro; que não se deixa “aculturar” (até porque, é culturalmente pobre), que tem grandes dificuldades de integração, que bla, bla, bla, e nada trás de novo e positivo para o nosso país.
Este “velho” emigrante continua a existir e perdurará enquanto tivermos o ordenado mínimo mais baixo da Europa e um ensino básico não profissionalizado.

O “novo” Emigrante, é de nível cultural médio-alto, com formação superior ou ainda á procura de inspiração para se profissionalizar. São pessoas de mentalidade “aberta”, curiosas, com um quê de aventureiro, sedentas de contactar com coisas novas e diferentes.
Concordo em absoluto que, estes sim, são uma mais-valia para a positiva evolução do nosso país.

Leona disse...

Um dos meus sonhos desde muito jovem era "andar pelo mundo". Faltou-me a Oportunidade e, confesso, a coragem para o fazer.

Mas estamos sempre a tempo.

Concordo com a Maria Melo (Aka HC-LOLOL)quando diz "Quem sai do País desta forma, não foge – apenas sai em busca de coisas novas e diferentes."

Ainda estou a ganhar coragem... quem sabe...

Beijinhos

Lecas disse...

Aos 18 anos ainda sem rumo profissional e com a cadeira de ingles por fazer, decidi ir passar o "ano lectivo" a Londres. Em 1980 as diferenças entre Portugal e Londres eram um imenso abismo.

A experiência do mais enriquecedor que possam imaginar, o choque entre o tipico estilo fleumático e a emotividade latina uma constante!

O civismo, das coisas que mais me fascinou (ainda hoje fico de cabelos em pé, quando vejo as pessoas utilizarem as escadas rolantes paradas dos 2 lados, em vez de se posicionarem do lado direito).

A minha estadia não foi para enriquecimento profissional, mas foi concerteza a nivel cultural e pessoal. E regressei com a certeza do que queria seguir profissionalmente - TURISMO!

beijos

Maria Melo disse...

Leona,

não abandones os teus sonhos!
sem eles podes continuar a existir, mas deixas de viver!

beijos

Leona disse...

Obrigada, Maria Melo por partilhares comigo tão profundo pensamento.

Beijinhos

LoiS disse...

Leona; Leca; Maria Melo ... raios, tanta gente que desconfio que conheço... !!!!

Bjs a todas!

lélé disse...

Oportunidade... Concordo muito com a Maria Melo... Também não penso que estes novos emigrantes estejam a "fugir", até porque, como disseste, por outras palavras, são amantes da cultura portuguesa. Quanto a civismo, a vermos pelas amostras que nos aparecem por cá, vindas de países tidos como de alto nível cívico... bem, pergunto-me se a boçalidade, que abunda neste Portugal, não será contagiosa!...

Rubina disse...

Eu também pus-me a andar. Também sou licenciada, fiz mestrado já em Londres. Um dia vi que o meu país só me fechava portas. Não sei se vou voltar. Beijo

LoiS disse...

Faz-me lembrar aquela em que uma empresa num processo de reengenharia e downsizing estupidamente deixa sair os melhores ficando com a merda.

O caminho dessas empresas é sempre o pior!

blackstar disse...

Estes teus amigos não fogem... partem em busca de algo que consideram ser melhor para as suas vidas! No fundo, exactamente da mesma forma que desde há muitos anos outros partem (à procura de melhores condições de vida!)...

Maria Melo disse...

Lois meu querido,

uma das coisas giras dos blogs é usarmos nick names não identificáveis.
Em vez de complementarmos a imagem de alguém através dos seus comentários, são os comentários que nos levam a criar uma personagem que não conhecemos ou pensamos não conhecer.

beijos

CaCo disse...

Completamente atulhada em trabalho (já não vinha à blogosfera há muito tempo...) resolvi hoje espreitar. Não tive ainda tempo para pôr a escrita (e leitura) em dia.

Também me apetece fugir para longe (mas voltava – do tipo: “vou ali e já venho”) porque estou cansada deste País e destas pessoas (sorry, é um desabafo).

Lá arranjei um tempinho para atravessar a ponte de bicicleta. É tudo verdade o que dizes. Ainda me consigo surpreender. Não sei para que estavam lá os seguranças. Sabes o que acho? Que tinham a certeza que iam borda fora se tentassem impedir. Muito triste!

Xuinha Foguetão disse...

Também foste?
:)

CaCo disse...

Xuinha, não sei se a pergunta é para mim, mas sim fui! Diverti-me, apesar de tudo.
:)

Bolinha disse...

Não vamos embora porra nenhuma , vamos é mudar o rumo das coisas, carago.