quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

SIM e NÃO

Em relação à interrupção voluntária da gravidez, algo que actualmente verifico é um enorme fortalecimento dos movimentos Pró - Não, com uma maior organização e influência no posicionamento das suas ideias no debate. São mais, estão mais fortes, estão mais presentes e mais organizados que os movimentos Pró - Sim.

Muito embora as sondagens apresentem o SIM como a tendência vencedora, este facto supra descrito não deixa de ser curioso e preocupante para todos os que são pela despenalização.

Este tema que aqui trago hoje, pela actualidade, surgiu por culpa de me ter recordado de uma passagem de uma filósofa, que sobre este tema escreveu em paper. Trata-se um documento muito respeitado e discutido no meio académico e dos pensadores.

Dizia algo do género, é mesmo algo do género pois não tenho condições para aqui fazer uma citação, tenho apenas na memória a ideia base desse texto ( as minhas desculpas pela falta de referência à pessoa, recordo-me que a investigadora que aqui refiro é da área da filosofia, Norte Americana e dos nossos tempos, solicito ajuda a quem de direito se possível ):

Partindo do pressuposto - apenas pressuposto pois muito se discute ainda aqui a montante - que a vida começa quando o óvulo é fertilizado pelo esperma, temos então, um ser vivo no corpo de outro ser vivo. Quem tem mais direitos ? o pequeno óvulo em formação ou a hospedeira desse ser ? podemos graduar os direitos ? sobrepor as vontades de um ao outro ?
...

33 comentários:

Paula disse...

Eu vou votar sim! Não porque seja a favor do aborto, mas sim porque sou a favor da despenalização! Quem quer fazer um aborto acaba por fazê-lo! Depois as condições financeiras determinam as condições em que o faz!
Não me considero no direito de julgar quem quer que seja! Quem o faz, tem, seguramente, as suas razões!...

LoiS disse...

Como sabes, também voto sim, formei a minha opinião desde o último referendo sobre esta matéria onde me sentia ainda muito confuso !!!!

A questão que postei, tem muito a ver com tudo: é ou não vida ?; a mãe que não quer é obrigada a ter pq ? ; o feto tb tem direitos ? os direitos de um são superiores aos direitos do outro ?

Claro que não me agrada a ideia, mas sempre existiu e sempre existirá a IVG. A mesma que ocorra com condições de dignidade pois quem nisso se mete não o faz nunca de ânimo leve !!!!!

E sim, a responsabilidade é de Homens e Mulheres, algo que muita gente tenta driblar !

fonis disse...

Este é sempre um tema polémico, mas eu também vou votar Sim, porque as pessoas que realmente querem fazer um aborto, pelas inumeras razões que tenham, vão continuar a fazê-lo em condições precárias! logo... pq não despenalizar o aborto?

Concordo plenamente contigo qd dizes que o "Não" está com muito mais força que o "SIM" e o mais certo é que continue tudo na mesma!

SILVA disse...

Sorry enganei-me na assinatura anterior. Foni= SILVA :)

taizinha disse...

Não sei se concordo que o Não está mais forte na campanha... Quanto ao problema que os Pró-Não levantam relativamente ao anticonceptivo que se cria com a despenalização, não estou nada de acordo. Nenhuma mulher aborta "porque sim", sem pensar muito, muito.
Quanto ao "ser vivo", poupem-me!!! Não tarda estão a comer ervas mortas, frutos caídos das árvores e outras coisas que tal (como alguns fundamentalistas que conheço). Ou falamos de embrião, ou falamos de feto, ou falamos de criança. Ser vivo?... Coitadinhos dos outros espermatozóides!!!!

Lígia disse...

nunca tinha pensado nisso assim, realmente...
Vou votar sim, acho que chegou a altura de Portugal passar a ser crescidinho e encarar os problemas de frente. O aborto é um problema, não é varrendo para debaixo do tapete que ele vai dexar de o ser!
Mas atenção amigos, não se esqueçam de uma coisa, no último referendo o SIM esteve à frente durante tempos e tempos, e de repente o Não começou a ganhar força e deu no que deu. Eu sei é chato, Domingo e mais não sei o que, mas temos de lá ir TODOS ou vamos continuar a viver com o peso dessas mulheres que abortam e depois teem de se esconder (eu pelo menos vou)

Guilherme disse...

Qual é a coisa mais importante na nossa vida? São as nossas próprias vidas. O que é que se passa, será que não se percebem que matar seres humanos não é a solução. Porque não criar um grupo ou uma organização que acompanhe as pessoas que não tem possibilidade de ter filhos. Não é justo para o bebé que alguem o mate. Para não falar da parte psicologica que a mulher tem de passar pelo o facto de fazer um aborto.
Creio que as pessoas não têm bem a noção do que é um aborto, pensam só que é matar um feto e que já está. É um escandalo

LoiS disse...

Bem-vindo Guilherme e muito obrigado por explicares aqui a tua opinião divergente dos restantes.

Quanto à tua nota respondo por mim, talvez até reforçando o teu ponto: O mais importante que tenho na minha vida é a vida de quem eu amo, só a seguir vem a minha ;)

A questão é mesmo filosófica ( que falta que faz aqui a Jade ), será que com 5, 10, 15 semanas já falamos de um ser humano ? se sim, mas não dou de barato esta resposta pois não concordo com ela, o hospedeiro que o transporta contra a sua vontade, deverá ser obrigado a - agora as minhas desculpas pela tirada que aqui vou escrever à DR. HOUSE - manter um parasita no seu corpo, um embrião em formação que suga recursos à vida que o transporta ?

Não deverá uma gravidez ser planeada com amor e responsabilidade ?

Questões apenas para pensar.

edunileo disse...

Assunto polémico este.
Se bem que concordo com o facto da mulher poder escolher se quer ter uma criança ou não, a minha votação no Domingo de dia 11 não está ainda bem definida.

Talvez por já ter convivido com pessoas que fizeram e outras que optaram por não fazer um aborto, me leve ainda mais a ter dúvidas quanto a este assunto.

Não consigo esquecer que cada vez mais há métodos contraceptivos que impedem que se chegue a pensar no aborto ou não. Claro que nada é a 100% e que pode sempre acontecer, mas estará o povo português a consciente que já há algumas maneiras para prevenir e não remediar? Há uns anos atrás (não muitos) seria mais dificil que actualmente, não?

Somos portugueses - e infelizmente para muitas pessoas o remediar é sempre o recurso, pois não se lembram que existe o prevenir...

Atenção - Não sou contra o aborto - de forma alguma!!! Faz-me muita confusão que morram mulheres por abortarem em péssimas condições e que sejam presas porque optaram por não ter um filho. Temos que ver que é algo de MUITA responsabilidade.

Mas a questão que coloco é: Estaremos nós (portugueses no geral) conscientes de que o aborto é o último recurso - e não o mais fácil?!?!

E, outra questão... um pouco mais financeira...

Quem tem dinheiro, fará nas clinicas privadas... E os outros?

Hospitais públicos? Com que meios e recursos?

Se realmente o aborto for um recurso, e tantas pessoas "mal formadas" recorrerem ao aborto como "método contraceptivo", porque hei-de eu estar a "pagar" a irresponsabiliade dos outros??

Peço desculpa pela extensão do meu texto... Sei que poderá estar um pouco confuso, mas fica aqui a minha ideia geral.

Elucidem-me, por favor. Defendam pontos de vista - não tenho o meu voto decidido :-(

Lenis disse...

Se pegarmos na questão do óvulo e do espermatozóide então a chamada pílula do dia seguinte (que se compra em qualquer farmácia, sem receita médica) e que é muitas vezes tomada já na semana seguinte, é também um meio para abortar.
Porquê que legalizamos esta forma abortiva e não as outras ???
Porque esta é apenas um embrião? Sim, mas é também o início de uma vida.
Não acabam por ser ambos diferentes formas de eliminar um futuro ser ???

O aborto é um tema muito polémico, mas é também cheio de FALSAS QUESTÕES.
Porque o que está aqui verdadeiramente em causa NÂO É DIZER NÂO AO ABORTO
É sim PERMITIR QUE AS CONDIÇÕES ECONOMICAS DE CADA UM DETERMINEM O SE O ABORTO É FEITO COM OU SEM CONDIÇÕES MÍNIMAS DE SEGURANÇA E HIGIENE.

Dizer que a despenalização vai aumentar a percentagem de abortos em Portugal, é uma falsa questão. Quando uma mulher decide fazer um aborto, faz mesmo. Seja lá como for e em que condições! Não adianta proibi-lo!

E acreditem, não há pior penalização que o peso de consciência, que perdura em cada uma das mulheres que já abortou!

Eu não seria capaz de fazer um aborto, mas vou votar sim, porque sei, que a despenalização não vai fazer com que, pessoas como eu mudem de opinião.
Vai apenas permitir que todas as mulheres o façam dentro das melhores condições,
independentemente do seu poder económico.

Mas também penso que o governo se devia preocupar seriamente em fazer campanhas de divulgação e informação sobre os meios contraceptivos.

Lenis disse...

Caro Edulineo,

Nenhuma Mulher pergunta a si prória - Toma a pilula ou faço um aborto??

Nenhuma Mulher entende o aborto como um meio contraceptivo, o aborto só é opção depois de se estar grávida.
E mesmo assim, só é opção para algumas pessoas.
Não há lei que impeça ou impele uma mulher a fazer um aborto.

Espero que a minha opinião de Mulher te tenha ajudado a decidir.

edunileo disse...

Lenis,
Como mulher, sei perfeitamente que a decisão de fazer um aborto não é fácil, e provavelmente eu não o faria (tal como tu).

Pena é que conheça pessoas que não entendem as coisas da mesma maneira... E que mulheres como nós afirmem - "ah, ele não gosta de preservativo..."ah, esqueci-me"... "ah...temos a pilula do dia seguinte" e depois ouvir coisas como: "se acontecer, posso sempre abortar"...

Quando oiço este tipo de coisas ditas de ânimo leve, não consigo visualizar que tenham consciência das acções que praticam...

Tenho pena - muita pena, que ainda existam muitas mulheres assim...

A minha consciência levar-me-ia a votar SIM à despenalização do aborto, sem grande sombra de dúvida, se não assistisse a tanta hipocrisia, falta de civismo e de respeito pelo próximo!

Mas é como digo, ainda não sei o que vou votar!

LoiS disse...

Muito interessante o Vosso ponto de vista.

Quero referir que n sou adepto do aborto mas sim da despenalização.

Aborto sempre existirá, não me venham com coisas, agora penalizar quem o faz a muito custo, pois ninguém o faz NUNCA de ânimo leve !!!!

Lenis disse...

SE, O NÃO AO ABORTO impedisse a existência do mesmo e fosse também
uma forma de obrigar as pessoas a tomar contraceptivos, eu votava não.
Porque não aceito que se prive um ser humana de nascer, pois esse é o primeiro e grande direito de todo o ser humano –
O DIREITO DE NASCER.
Se, em alguma circunstância essa criança não pudesse ser criando pelos progenitores, há sempre a opção de dar a criança para adopção (por mais que custe, gerar uma criança e dá-la para adopção,
abortar deveria custar muito mais).

Infelizmente nem todas as pessoas pensam assim, e O ABORTO É UMA OPÇÃO, ilegal ou não, dá o mesmo.

Por isso, este referendo nada tem a ver com o direito á vida,
O nosso sim, é apenas uma posição de solidariedade para com os outros, é dizer sim, para que todos tenham acesso ás mesmas condições de saúde médica.

Alexandra disse...

É uma questão demasiado sensível para radicalismos, acho.

Radicalismos do SIM e do NÃO.

O NÃO a todo o custo, sejam quais forem os motivos: económicos, físicos, deformação do ser, psicológicos, ou até mesmo o risco de vida da mãe, etc, é uma hipocrisia.

Porque não salvar A vida que pode gerar outras vidas? Ou não será essa uma escolha pessoal e de acordo com as convicções da mulher?

O SIM: despenalização.

Já basta o sofrimento que este acto causa nas mulheres, que ficam marcadas para uma vida inteira. Porquê expo-lo e puni-lo?

Acho que deveria existir um processo de acompanhamento da mulher, para que este fosse mesmo o último recurso.

Deveria-se disponibilizar os meios para que a mulher possa levar a sua gravidez em frente, fazendo face aos seus problemas (economicos, sociais,...).

É uma questão de consciência.
Conheço mulheres que abortaram porque parecia mal estarem grávidas naquela fase da vida delas...*-)

Se a mulher quiser mesmo ir frente, vai. Seja onde e como for.
Se tiver dinheiro, numa clínica, com toda a segurança. Se não tiver, sujeita-se ao que conseguir arranjar, correndo risco de vida.

Então, que o façam em condições dignas, sem prejuízo para a sua saúde física.

A minha resposta será SIM.

edunileo disse...

Lenis... concordo contigo!
Mas, se o nosso sistema de saúde, nem para casos urgentes tem resposta, terá para o aborto? Passará à frente de um doente um aborto?
Terei eu que, com os meus impostos, "pagar" esse aborto?

Eu estou apenas a deitar questões ao ar... sei que não sou a única pessoa a ter este tipo de dúvidas!

lenis disse...

Edunileo,

pelas tuas duvidas á pouco pensei que eras um homem. Agora entendo, a tua opinião quando dizes que muitas mulheres agem de forma facilitista e irresponsável. Isso é pura irresponsabilidade e quem o diz dessa forma, quase de certeza que nunca o fez. Eu também já vi pessoas dizerem que se acontecesse abortavam.
E quando aconteceu não abortaram. Situações desta delicadeza e gravidade, a maior parte das vezes fala-se, fala-se, mas só quando "nos vemos nelas" é que decidimos.
Mas a questão do referendo, não é acabar com o aborto...

Lois Meu Amigo,

desculpa o monopólio do teu blog, mas é um assunto tão importante...

LoiS disse...

E aquelas que o fazem e continuarão a fazer em " vão de escadas ", caíndo depois em risco de vida nas urgências ? deveremos condená-las então à morte pois fizeram aquilo que não concordamos ?

Não será mais penoso assim ?

Meter em tribunal mulheres envergonhadas, sem os homens ao seu lado, depois de terem feito um aborto ?

A sério, das mulheres custa-me a entender certas coisas !

Alexandra disse...

Lois,

Subscrevo inteiramente a tua questão. Realço a parte "Meter em tribunal mulheres envergonhadas, sem os homens ao seu lado", porque muitas vezes é disso que se trata. O homens não estão ao lado delas...

Edulineo:

As tuas dúvidas são também as minhas.
Mas o SIM pode evitar que mulheres em situação de aborto, em perigo de vida passem à frente de um doente nas ugências do hospital.

Lenis disse...

Alexandra,

concordo contigo, quando falas em radicalismos. Não devia acontecer assim. A acção do Governo, devia ser formativa - não penalizar e dar meios de informação acompanhamento, etc.
Infelizmente a política e a sociedade em que vivemos sós nos dá esta opção...

Edunileo,

O nosso sistema de saúde vai continuar a ser o mesmo de sempre.
nada vai alterar nem mudar. Essa é apenas mais uma falsa questão colocada pela campanha do não.
Quem tem facilidades economicas, vai continuar a ir ás clinicas privadas, quem as não tem vai para a fila das consultas. E é claro que os serviços médicos não vão "entupir" por causa de quem queira abortar.
Quanto ao pagares impostos para isso???
My god, outra falsa questão - os impostos não vão subir pela legalização do aborto. Indigna-me muito mais que os meus impostos paguem absurdos de "extras" aos nossos ministros e afins.

taizinha disse...

Guilherme: mas quais apoios? aqueles que se perdem quando se perde o emprego? ou aqueles que se recuperam quando voltamos a trabalhar e que não dá nem para os cereias das crianças durante 8 dias? E "não é justo para o bébé que alguém o mate"? Mas qual bébé? Voltamos ao ser vivo?

Edulineo: Pagar a irresponsabilidade dos outros? Não fazemos isso todos os dias? Com os acidentados, com os mal tratados, com as más políticas? É isso o melhor argumento para o não?

Lenis: Então e o DIU? Perfeitamente legal. Há fecundação todos os meses...

Lois: Desculpa "Amori"... Isto é um monopólio completo, como diz a Leni.

Xuinha Foguetão disse...

Ainda não tomei a minha decisão quanto ao meu voto, se bem que estou mais inclinada para o SIM.

Algo que me surpreende é falarmos apenas no papel da mulher. Muitas das vezes esta decisão "clandestina" de abortar é tomado por duas pessoas (às vezes até por mais).
Porque só haver castigo (presentemente) apenas para as mulheres? Porque elas têm o dom de carregar uma vida no seu ventre?

Sou a favor da despenalização e não a favor da liberalização.
Não consigo nunca encarar um aborto como um método contraceptivo.
E acredito que a maior parte das mulheres que recorre a um aborto não o faz de ânimo leve, mas também acredito que haja mulheres que vejam o aborto como uma solução para um descuido.

Quando falamos deste assunto tendemos a imaginar pessoas como nós, o que é que elas fariam numa situação dessas. Mas a realidade é bem diferente. Há pessoas pouco informadas, mal orientadas, sem apoio que acabam por recorrer ao aborto como solução para uma gravidez não desejada sujeitando-se muitas vezes a fazê-lo em condições muito más.

Li noutro dia a opinião de uma amiga defensora do NÃO e ela fazia a seguinte pergunta: se alguma mulher que decida ter o bébé depois de o ter nos seus braços se arrepende?

E de repente passou-me pela cabeça todas aquelas notícias de pais que violam crianças, que matam os próprios filhos... e compreendi que ela estava a limitar muito o "universo" em causa. E se pudesse tinha lhe dado a resposta: SIM, há muitas mães que se arrependem e que cometem crimes horrendos que poderiam de outra forma ser evitados.

Se o SIM ganhar, a sociedade necessita de uma injecção de informação. URGENTE!
Para que o aborto não se torne uma prática corriqueira.

edunileo disse...

Lenis:
Eu tb não concordo com o facto os nossos impostos irem para outras coisas fruto da irresponsabilidade... Como por exemplo, um fumador, que está muito mal de saúde... tem de ter uma bomba para respirar e logo a seguir a meter a bomba na boca, agarrar do cigarro e fumar?! Será certo?!?!

Eu sei que tudo isto que pendo é uma utopia! Mas há que discutir os assuntos, para tentar consciencializar quem precisa... ao menos um pouco.

Alexandra:

Será que quem o faz em vão de escadas, o vai deixar de fazer para ir aos hospitais?
Muitas vezes o facto de se fazer um aborto em "vão de escada" é fazê-lo às "escondidas" e sem ninguém dar conta...

Xuinha Foguetão:
Concordo com o que dizes: "pessoas pouco informadas, mal orientadas, sem apoio que acabam por recorrer ao aborto como solução para uma gravidez"...
E acho que a solução passará(se não a perfeita, a remediável), e se o SIM ganhar (que poderá até ser com o meu voto também), pela informação... mas não só...
É preciso "formar" as pessoas...

Maríita disse...

Eu votarei SIM, convicta que esse é o único caminho depois de ter perdido amizades pelo caminho e ter uma amiga com sequelas tão graves que não pode engravidar.

Esta votação não é sobre a liberalização do aborto com muitos pretendem fazer passar, mas sim sobre a DESPENALIZAÇÃO do aborto.

E eu não acredito, por muito que me tentem "vender" essa ideia que as mulheres que fizeram abortos na sua vida, o fizeram de ânimo leve.

A consciência é muito mais penalizante, através da culpabilidade que qualquer ordem de prisão. Por isso, deixemos cada qual com a sua consciência.

Alexandra disse...

Edulineo,

Entendo a tua questão. Mas quem o faz em clínicas também não o faz às "escondidas" e "sem ninguém dar conta"?

Concordo plenamente com a Xuinha quando diz que muitas vezes a decisão de abortar é tomada por duas pessoas (às vezes até por mais). Mas, como o Lois muito bem disse, é a mulher que se senta no banco dos réus. SOZINHA. E muitas mulheres abortam por serem abandonadas pelos seus companheiros após engravidarem, ficando sozinhas, perdidas, sem saberem o que fazer e o aborto aparece como a "solução mais fácil".

Por isso eu disse atrás que o Estado deveria disponiblizar o acompanhamento da mulher, apoiar a gravidez e educação das crianças, para que a decisão de abortar deixasse de ser uma solução face aos problemas socio economicos que grande parte atravessa.(este é apenas um dos muitos motivos pelos quais as mulheres abortam, não vou dissertar sobre outros)

Mas antes de tudo, a formação, educação e consciencialização.

Repito: Não acredito que as mulheres abortem simplesmente porque sim.

Capitão-Mor disse...

Isto vai ser sempre a mesma palhaçada de sempre! Olhamos para a campanha e o que vemos? De um lado os tios & tias, ultra-católicos com aquelas cançonetas ridículas. Do outro, vemos aquelas Maria-rapazes dos partidos de esquerda radical que querem reavivar os tempos em que se queimavam soutiens na Alameda. Outra coisa que nunca fez sentido foi os partidos meterem-se numa matéria pessoal. Pessoalmente votaria SIM, apesar de também ter algumas reservas em relação a esta temática. Existe muita "cabecinha" por aí que vai encarar a despenalização como mais um método contraceptivo. "Olha, fiquei grávida mas não há azar, manda-se abaixo"! Duvidam?

LoiS disse...

É mesmo um mito o que se diz do "aborto fácil", faz-me lembrar o argumento de alguns quando se referem às prostitutas dizendo que as mesmas fazem um "trabalho fácil".

Na Europa desenvolvida Portugal é um caso raro de quê? respeito pelas mulheres? pela vida? parece-me mais pela igreja que nos mantem manietados desde a idade pré-média.

Não estamos aqui a concordar com o aborto, estamos sim a despenalizar quem a ele recorre e sim, NUNCA É PARA NINGUÉM A SOLUÇÃO FÁCIL !

LoiS disse...

Permitam-me que transcreva aqui mais uma posição minha em relação a esta matéria, colocada em comment num outro Blog, que seguia pela temática da consciência na sua discussão:

... Não são os homens que sofrem, são raros os que ficam de consciência pesada para o resto da vida com os abortos das suas parceiras, no entanto, são raras as mulheres que NÃO ficam de conciência pesada !

Acredito nisso !

Pela mulher e contra a hipocrisia voto SIM, não ao aborto mas SIM à despenalização.

Yashmeen disse...

Eu voto SIM, e sobre este tema recomendo a tese do 5ª ano jurídico do Dr. Álvaro Cunhal, de 1940, chamada "O Aborto - causas e soluções" (Ed. Campo das Letras).
É de uma incrível actualidade.


PS: Mais calminho?

LFM disse...

acreditas que já escrevi mais e apaguei outro tanto neste comentário?!?
Vou-me ficar apenas por aqui, depois comentarei noutra oportunidade.
Aliás comprometi-me a debater este tema no meu blogue e agora tenho medo de não ter ideias suficientes para lá colocar.
Um abraço
LFM

LoiS disse...

"A mim só me comove que, nesta discussão sobre o referendo e por arrastamento maldoso, tragam para a questão o aborto. Ora, pensando com serenidade, o que vamos votar é a despenalização da mulher e mais nada. E vou votar 'sim', porque todos temos obrigação de imitar Jesus, perdoando e usando de misericórdia pela mulher que teve de abortar."

Uma afirmação que pertence a um padre que se prepara para votar "sim" no próximo domingo

migas disse...

Aos demais,
de muitos, aqui vos deixo também para reflexão mais um artigo de opinião sobre o assunto em post da autoria de João Cesár das Neves.

"O Centro"

Este debate do aborto foi mais uma vez uma oportunidade para informar e discutir sobre questões essenciais. Naturalmente muita gente se sentiu incomodada com o barulho, excessos, violência verbal. Mas o esclarecimento tem muitos efeitos. Sobretudo de um dos lados.Nunca nos podemos esquecer que há oito anos, no primeiro referendo sobre o tema, verificou- se o único caso de uma
campanha eleitoral que afectou dramaticamente o resultado de uma consulta. Na altura, após múltiplas sondagens que davam uma vitória esmagadora do “sim”, acabou por ganhar o “não”. Isto é um sinal claro da diferente atitude dos dois lados face ao esclarecimento.
Os defensores do “sim” apontam para um sofrimento evidente e aberto. As causas que levam as mulheres a praticar o aborto são sempre dramáticas.
Eles são desonestos na obsessão com prisões que não existem e humilhações criadas sobretudo pelo circo mediático que eles mesmos promoveram no tribunal. Mas ninguém nega o sofrimento da mãe.
O lado do “não”, pelo contrário, aponta para um sofrimento escondido, um inocente que não se vê, uma morte oculta. Isto só o esclarecimento pode mostrar, porque tudo o mais contribui para o abafar. Mas a vida do embrião é, afinal, o centro nevrálgico do problema. É aquela vida que motiva a angústia da mãe, o drama da situação, a inquietação de tantos. Assiste-se a uma campanha bem orquestrada para negar a humanidade daquele pequenino ser. Mas ele é o centro inegável de tudo o
que se diz e faz. Defender aquela vida devia ser também o centro das nossas preocupações.

Bolinha disse...

Cheguei tarde para esta discussão , só vos faço um pedido VOTEM