quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Liga dos últimos

Triste sina a de vermos de ano para ano o Nosso Portugal a afundar-se no ranking do EUROSTAT – pois, como se só nos afundássemos aí !

Entram novos membros no grupo da “elite” europeia e muitos desses já nos ultrapassam no ranking do desenvolvimento. Outros, os que ainda não o fizeram, estão prestes a consegui-lo, com massa crítica cheia de vontade e massa cinzenta formada para isso.

Não me quero resignar a um país em que os empresários da restauração perguntam se queremos factura;
a um país onde o projecto de arquitectura de uma casa particular tem que ser feito pelo gabinete privado que todos sabem ser pertença do grupinho do vereador responsável pelo urbanismo;
a um país onde o “empresário” que desde 86 recebe fundos perdidos, critica tudo e todos, desespera por mais subsídios e depois, põe para aluguer como armazém o edifício da empresa;
a um país onde aqueles que criticam os tipos que cospem para o chão, abrem um maço de cigarros e atiram o papel do pacote para trás das costas;
a um país onde venha quem vier para governar, a voz do povo gritará, como sempre, que o governo não presta;
a um país onde todos reclamam e aparentemente todos perdem a razão;
a um país onde todos dizem que o estado tudo tira e que tudo deve dar.

E de quem é a culpa ?
... do fado, de mim, de ti, de todos !

Disse um estadista em tempos:

“ask not what your country can do for you - ask what you can do for your country.“

13 comentários:

mar disse...

A culpa é de um espírito que parece que já nasce com cada português que é o espírito do facilitismo, do enganar, do "como posso contornar esta lei". É um espírito, que tal como numa obra que li, parece ter surgido do sentimento de inferioridade, de saudade dos momentos áureos do povo português de quem acredita que "Portugal vai voltar a ser uma grande nação". Não vai! Enquanto não houver uma mudança de mentalidade, de responsabilidade, enquanto as pessoas considerarem “normal” o sistema de “cunhas”; o “existe uma lei, mas não é bem para cumprir” enquanto houver pessoas a usufruir do fundo de desemprego e a trabalhar a fazer uns biscates, como se costuma dizer, e outros vícios que tais, nada disto muda. E mesmo quando me manifesto contra estas situações, quando tento remar contra a corrente, ouço coisas do tipo: olha que toda a gente faz… Tudo vai ficar na mesma e os portugueses já deveriam ter mudado um pouco, mas não, tudo continua na mesma. Desculpa, hoje, estou um pouco amarga. Amanha já estou melhor

taizinha disse...

Definitivamente o fim-de-semana fez-te mal (aparte a companhia, bem entendido...). Deixa-me adivinhar: querias mostrar uma Lisboa linda, maravilhosa, cheia da simpatia que só o Norte sabe oferecer, e sai-te uma Lisboa imunda, hipócrita, economicista (tendo em conta a época) e cheia de gente brega e desinteressante!
Ias até à Costa de Caparica (provocação... LOL).

P.S.- Deixa-me digerir o teu texto e já faço um comentário sério. ;-)

LoiS disse...

Mar:

Tal e qual, fomos grandes e queremos que o passado nos sirva de remédio!
Não passamos da cêpa torta, é mesmo culpa de todos. Aqueles que só criticam deveriam antes demais criticarem-se a eles, começavam por aí...seria muito mais fácil !

Tia :

Nada tem a ver com o fds.
Posts destes tb me saiem muitos. Gosto das questões da politica/sociedade/economia e afins ... adoro Portugal e custa-me ver que não saímos deste atraso crónico.

taizinha disse...

Este atraso crónico tem a ver com a nossa pouca cultura. Enquanto não apostarmos na educação, não vamos longe. E não é a inventarem disciplinas com títulos como: Formação Cívica ou Área de Projecto que vamos lá. Tem mesmo a ver com a educação de berço. Por muito que me custe (e já explico porquê)* separar o lixo todos os dias, faço-o. Mais pelos meus filhos do que por mim. Sei que estes hábitos vão ser tão naturais neles que nem vão entender que não tenha sido sempre assim. Não me esqueço de há 17 anos atrás na Alemanha, já havia dias para a recolha criteriosa do lixo: papel num dia, plástico noutro, etc. E, todos os peões esperavam pacientemente no sinal vermelho, na passadeira, mesmo que não se avistasse um automóvel a kms de distância. É educação. É de educação que este País precisa.

*Os nossos contentores do ecoponto são a maior nojeira que eu alguma vez vi. Um cheiro nauseabundo, uma desorganização indecente por parte de quem faz a recolha e gestão daquela javardice. Enfim... Perco a vontade de contribuir, a sério...
Mas faço-o porque sou teimosa e tenho filhos.

Paula disse...

Ainda bem que não te resignas, que tens esperança num país melhor, é essa atitude que todos deveríamos ter!! Sinceramente, às vezes sinto-me um pouco desencantada e tenho pouca vontade de "remar contra a corrente", porque aqueles que tentam que as coisas mudem, são uma pequena minoria, mas a vontade de "mudar as coisas" é mais forte, ou pelo menos, tem sido!

Taizinha, eu não digo que só o Norte oferece simpatia, mas lá que temos algo de especial, não tenhas dúvidas!! ;)

silva disse...

Infelizmente a culpa é de todos. Somos fracos de espirito! A maioria vive das aparências, das cunhas, do meter ao bolso e não contribuir com as suas obrigações!
É preciso mudar a mentalidade com urgência! Ainda ontem estive com uma pessoa que me contou que no local de trabalho cortaram com os telefonemas para o exterior pq haviam facturas com valores astronómicos, com chamadas para a Austrália, Brasil e chamadas para móvel de 2/3horas! isto não se admite. Mas trabalha-se neste país ou anda tudo no diz q se trabalha mas na realidade ligasse para os amigos e familia para por a conversa em dia?
Isto realmente faz-me muita confusão, assim como tudo isso q referiste Lois.

Haja esperança nas próximas gerações:)

TONY, Duque do Mucifal disse...

amigo estás a citar John F. Kennedy?
Sim senhora!
em termos de Portugal, é um problema de mentalidade.tempo e resquicios da ditadura, mas de qualquer forma Espanha teve o General Franco e está francamente à nossa frente. Eu sou daqueles que criticam.E quem mais critico é a pobre classe empresarial que temos. Enfim, a subisidodependencia é uma dença grave tal como é a absorvencia de fundos do Estado de Entidades que só servem para defender os seus tachos. NA BTL vejo e oiço muito choradinho por dinheiros publicos. E que tal criar riqueza?

Xuinha Foguetão disse...

Verdade!

A culpa é de todos.
É de uma forma de estar na vida.
É de horizontes muito pequenos.
É de falta de ambição.
É do comodismo.

E não podemos depositar esperança nas gerações vindoiras se nada mudarmos agora.
Senão, a herança vai ser a mesma...

Beijos

LFM disse...

OK, sou dos que critica, mas socialmente falando, ninguém me aponta o dedo!
Não gosto de criticar quem critica, mas gosto de criticar quem podendo FAZER, NÃO FAZ ou FAZ MAL (aceitando que este mal pode ser por vezes subjectivo).
Gosto do país enquanto características físicas, mas detesto-o enquanto organizacionais.
As pessoas são e tornam-se naquilo que lhes é permitido e eu, muito sinceramente, cada vez tenho menos orgulho em ser português.

Capitão-Mor disse...

Fico meio admirado por teres colocado este texto. Não era tu que Há tempos atrás dizias estar farto do discurso da crise? Pois é, estes problemas assolam o nosso país desde os tempos do Império. Compadrios, pessoas nos lugares errados e muito chico-espertismo. talvez tenmhamos que aprender a lidar com a nossa prória merda.

LoiS disse...

E estou!
Talvez como o LFM disse.

Farto de tipos q se queixam da crise e podendo tirar-nos dela queixam-se do lado e não deles próprios como agentes da mudança !!!!

mystic disse...

Espirito tuga:
"bora lá desenrascar isto!
fuga ao fisco? óptimo!
porta do cavalo? bora nessa vanessa!"

entre outras coisas...

ritó disse...

LOIS, mais um "post" fantástico!

É verdade que, infelizmente, vivemos num país tal como descreveste, mas pior ainda é vivermos num país onde todos temos telhados de vidro...
O Sr. do restaurante tem culpa, mas nós também a temos.
Muitos daqueles que fazem obras em casa não pedem factura para não pagarem IVA e, por sua a vez, para os empreiteiros não pagarem os impostos devidos.
Quantos são aqueles que adquirem uma casa e declaram o valor do empréstimo como sendo o valor da casa, e até menos do que isso, não pagando os impostos pelo valor real da casa mas por um valor fictício. Como estes há muitos exemplos e infelizmente existem poucas pessoas efectivamente honestas neste país.

Infelizmente também não me parece que passe pela educação, teoricamente deveria passar, mas quem educa são pessoas, portuguesas, com telhados de vidro.

É o país que temos e TODOS nós temos obrigação, enquanto cidadãos, de educar aqueles que nos rodeiam, dando o exemplo, e fazer com que o nosso país se torne um país melhor.

Beijos e mais uma vez parabéns pelo "post".