quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Aos valentes

O país vive um período de greves e contestações. Todos reclamam por isto e por aquilo. Uns querem chegar a vencimentos principescos, dados por um estado na penúria, só pela sua antiguidade “na casa”; outros, lutam pela manutenção de regalias anormais para qualquer estado desenvolvido, equilibrado e justo; outros ainda, lutam nem sabem bem o porquê, como uma Sra. “fulana tal” que disse: “ em 29 anos não falho uma greve ”.

Ontem ouvi um economista na TV teorizar sobre a Autoeuropa. Dizia que a comissão de trabalhadores dessa enorme indústria fulcral para a nossa balança comercial e para o crescimento do PIB, sempre agilizou as suas propostas de uma forma inteligente, assertiva e responsável com a administração da empresa. Eles sabem, melhor que ninguém, que numa economia globalizada, a competitividade e a mutação é uma constante e que quem não se adapta morre. Assim, cedendo de um lado e fazendo do outro, temos actualmente e ainda para bem do país, uma enorme empresa, que emprega realmente milhares de pessoas, cria riqueza, e sim, opera em Portugal. É que caso contrário a implacabilidade por parte da casa mãe seria irreversível – mudavam de país !

Referia-me uma colega que trabalha num ministério deste estado: “Não faço greve pois prefiro trabalhar e mostrar cada vez mais e melhor o meu desempenho e a minha produtividade”.

E se o país efectivamente pudesse mudar de sítio, encerrar por falência, deixando os grevistas sem local para trabalhar e viver ?

...



A felicidade exige valentia.

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um "não". É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa - 70º aniversário da sua morte

10 comentários:

Xuinha Foguetão disse...

Acho que as coisas não são assim tão simples...

Gostei de ler Fernando Pessoa.

:)

Beijocas

Eva disse...

Bela forma a de Fernando Pessoa de encarar os obstáculos e tirar partido deles.

Maria disse...

Claro, mas tu esqueceste que existem funcionários públicos que ganham o ordenado mínimo nacional e continuam a ter contas para pagar no fim do mês e que esses têm vindo a ser prejudicados ano após ano e não estão em condições de entender que andamos todos a apertar o cinto para equilibrar as finanças públicas, para tornar o país mais ágil e atingirmos patamares de desenvolvimento que nos aproximem do resto da Europa, mas existe muita gente que ainda trabalha única e exclusivamente para sobreviver.

Penso sempre na pirâmide das necessidades, as pessoas só se deixam de preocupar com os gastos em produtos básicos quando os têm assegurados. Na função pública existem funcionários que ainda estão no patamar debaixo, não podem e não devem abdicar de lutar pelos seus direitos.

Cada pessoa reage como pode a medidas impopulares, os funcionários públicos com greves.

Beijinhos

P.S. - A Autoeuropa não foi um bom exemplo porque eles partiram para a negociação com a entidade patornal com uma posição superior, eles estavam a ganhar em horas extraordinárias mais que os seus colegas alemães. Claro que tinham que flexibilizar.

Jade disse...

Lois, vou-me coibir de comentar porque certamente iria aborrecer-me. Perdoa-me e amigos como sempre!

Capitão-Mor disse...

Bom...Já sabes que não gosto de opinar quando o assunto está relacionado com funcionalismo público.
Abraço

Xuinha Foguetão disse...

Então valente Augusto,

hoje n há post novo?

Os grevistas fizeram-te um esperinha?

Ahahahahahha!

Beijos e bom fim-de-semana.

ARTEMINORCA disse...

Começo a ficar cansada, muito cansada... Pela tua ordem de ideias: "É comer e calar"! O que acho estranho a algumas pessoas que não fazem greve é que depois gostam de usufruir da luta dos outros! E mais uma vez digo: aquilo a que alguns chamam privilégios, eu chamo direitos adquiridos e não me sinto menos trabalhadora nem empenhada do que aqueles que só falam na produtividade do país. Como diria Jorge Sampaio "Há mais vida para além do deficite!! Pena é que ele agora não se lembre dessa sua afirmação que ficou famosa quando dirigida a Manuela Ferreira Leite!
Bom fim de Semana.

Lígia disse...

Goste de te ler amigo :), folgo em saber que te posso continuar a ler :). Mudei o meu blog para o beta, nao consigo postar mas prometo que vou deixar novidades em breve

APC disse...

Pedras que nos põe no caminho para malharmos no meio do chão? É de apanhá-las a todas e usá-las bem, com pontaria! :-)

LoiS disse...

Xu:
As coisa nc são assim tão simples de facto, as pessoas é que não as querem entender !

Eva:
Encaixou bem aqui !

Maria:
Não são esses que andam na rua, para esses, dois dias de greve pesam muito mais no fim do mês.

Jade:
Nem nós estamos aqui para nos aborrecer, por vezes ;)

Capitão:
Senti-te muito depreciativo em relação a esse profissionais !

Xu:
Ando com falta de tempo, simples, no dia em que apanhar pelo que penso, está mesmo o caldo entornado. Antes apanhar pelo que faça ;) !

Arte:
Cada qual é como é. Eu não me canso com aqueles que são diferentes de mim, canso-me muito mais com os que são iguais.

LiLi:
Caiste em tentação, és como eu, tb gosto de saber que andas por aí !

APC:
Falta referir: então aquele que nunca pecou, que atire a primeira pedra !